Cinco dias. Mais de 40 minutos de leitura por dia. Um livro concluído.
Para quem estava com o tempo engolido pelas notificações do comercial, pela rotina de consultoria e pela deliciosa (mas caótica) rotina com os 3 filhos, esse ritmo parece um milagre.
O livro que marcou o meu retorno aos mais de 20 livros por ano foi “Trabalho Focado”, do Cal Newport. E reencontrar essa obra me fez conectar os pontos entre o que vivemos no passado e o diferencial competitivo que entrego hoje aos meus clientes.
O Trauma de 2020 e o “Teatro da Produtividade”
A primeira vez que li esse livro foi em julho de 2020. O mundo tentava se ajustar à pandemia e nós fomos engolidos por um tsunami de reuniões online. Lembro do incômodo que sentia naquela época. Aquela enxurrada de calls intermináveis não passava de um “conforto psicológico”. A lógica errada imperava: “Se estou ocupado, estou sendo produtivo”.
Cal Newport explica esse fenômeno perfeitamente no livro:
“Na ausência de indicadores claros do que significa ser produtivo e valioso em seus empregos, muitos trabalhadores do conhecimento voltam-se para um indicador industrial de produtividade: fazer muitas coisas de maneira visível.”
Nós transformamos o ato de estar ocupado em um escudo para mascarar a falta de resultado real.
Seis Anos Depois: O Tabuleiro Mudou
Corte para o momento atual. Hoje, atuo como consultor empresarial focado em estruturar áreas comerciais para empresas de tecnologia. E o meu primeiro cliente nessa nova fase foi a Project Data(https://projectdt.com.br), uma empresa que nasceu justamente de uma dor latente de mercado: a improdutividade.
Conforme eu conversava com os fundadores Bruno e Netto, e mergulhava nas entranhas do software deles, a engenharia da narrativa comercial foi se desenhando na minha mente. Até que, em uma das reuniões, olhei para eles e desconstruí o pitch tradicional:
“Vocês não vendem software. Vocês cuidam do ativo mais poderoso do mundo, o TEMPO. E do segundo mais importante, os DADOS.”
Dizer isso foi como ativar um gatilho na minha memória. A cada nova discussão estratégica sobre o projeto da Project Data, a urgência de reler o Cal Newport martelava na minha cabeça. Havia apenas um problema: eu não estava com o livro.
O Resgate em Maringá
Em um desprendimento do passado, eu havia repassado o meu exemplar para a minha querida irmã, a Débora — que, diga-se de passagem, é a arquiteta mais linda de Maringá e região.
Eu sabia o que tinha que fazer. Peguei a estrada, fui até Maringá e resgatei o livro. Aquele exemplar físico, cheio de história familiar e profissional, precisava voltar para a minha mesa. Ele virou o marco zero da organização dos meus novos projetos de mentoria e consultoria.
O Verdadeiro Diferencial Competitivo
A lição que Newport deixa e que aplico na minha consultoria todos os dias é ideal para o cenário atual do mercado de tecnologia:
“A habilidade de realizar trabalho focado está se tornando cada vez mais rara, exatamente ao mesmo tempo em que se torna cada vez mais valiosa na nossa economia. Como consequência, os poucos que cultivam essa habilidade e a tornam o cerne de sua vida profissional irão prosperar.”
Bloquear mais de 40 minutos por dia para ler pela manhã, me fez pedalar mais de 100km e não me afastou dos meus clientes ou dos meus filhos. Pelo contrário: calibrou meu pensamento crítico, enriqueceu meu vocabulário comercial e me deu os insights necessários para desenhar a estratégia da Project Data com muito mais precisão.
Esvaziar o pensamento crítico e viver no “tempo de ar” das redes sociais é uma escolha. Proteger o seu tempo e focar no que gera valor real é estratégia de sobrevivência e escala.
Mais um livro já foi para a conta. O plano dos mais de 20 livros por ano está rodando.
E você? Continua medindo o seu sucesso pelo tamanho da sua lista de reuniões ou pelo resultado real do seu tempo focado?
Gostou da reflexão? Deixe seu comentário e me conte: qual livro tem sido a sua ferramenta de ROI estratégico nos negócios ultimamente?
Até mais,
Diego Dalcolli – O Desafiador das Vendas